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terça-feira, 15 de setembro de 2009

O apanhador no campo de centeio

O livro de J. D. Salinger, O apanhador no campo de centeio, escrito na década de 1940, e publicado em 1951, é, aparentemente, um livro para adolescentes. Isto porque Holden Caufield, o protagonista e narrador da história, reprovado em quase todas as disciplinas, e expulso do colégio, empreende uma viagem de volta à casa de seus pais em Nova York. Porém, como deveria chegar apenas na quarta-feira, e desde a sexta-feira está livre, perambula por diversos locais, hotéis, bares, Central Park até que chegue o dia exato e ele não tenha de se explicar aos pais.
No entanto, tornou-se um livro cult, porque a narrativa não é nada infantil ou juvenil. Retrata antes o processo de amadurecimento de um jovem, que demonstra posições firmes, ainda que contraditórias em alguns momentos.
O título é extraído de um poema de Robert Burns (1756-1796), escocês que viveu em uma época marcada pelo arcadismo, escola que valorizava o campo. Essa pode ser uma chave de leitura do livro: o contraponto entre as desilusões da vida na cidade grande e a vida natural, desprovida de maiores convenções.
Talvez advenha dessa possibilidade de leitura o fato de o livro ter sido indexado numa espécie de catálogo de livros próprios do mundo da conspiração. Chapman, o assassino de John Lennon, elegeu o livro de Salinger como uma espécie de estrela-guia;. em Teoria da Conspiração, o personagem interpretado por Mel Gibson compra todas as edições de O apanhador no campo de centeio, ainda que nunca o tenha lido.
O livro não tem nada de conspiratório. Pode-se dizer que narra a triste odisséia de um jovem revoltado consigo mesmo e com o sistema, que pouco pode fazer, a não ser criticar a tudo e a todos, inclusive a si mesmo.

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